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Grande parte das micro e pequenas empresas não contam com um bom sistema de controle interno, com boas informações tempestivas para servir de base aos gestores em suas decisões. Consequência disso, não é possível fazer uma boa administração financeira. Há uma preocupação maior com o atendimento ao fisco _ que tem se tornado cada vez mais exigente _ em detrimento da qualidade da informação, que deveria ter como foco maior a administração da empresa. A taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas nos seus primeiros anos de existência tem diminuído consideravelmente nos últimos anos; por outro lado, as falhas de gestão ainda são a principal causa da mortalidade precoce.

Um bom sistema de controle interno, em sentido amplo, não é somente um sistema informatizado de boa qualidade, com possibilidade de emissão de bons relatórios. É bem mais que isso. É necessário entender que quando se decide investir para obter qualidade e tempestividade das informações, o primeiro ponto a ser mudado é a cultura das pessoas que trabalham nas empresas. Não adianta dar uma ferramenta perfeita nas mãos de um operário despreparado: é preciso antes qualificá-lo para que tire o melhor proveito da ferramenta. O sistema de controle interno abrange as pessoas e sua qualificação, os recursos de informática, os procedimentos e rotinas adotados, ambos com o objetivo de controlar e proteger os ativos, assegurando que os rumos definidos pelos gestores da empresa estão sendo seguidos.

Diante do exposto, fica um pouco mais claro que controle interno é algo muito mais amplo que meramente controle fiscal. Uma empresa precisa ter objetivos e metas, os quais precisam ser bem acompanhados, sob pena de não se chegar a lugar nenhum. Há que se observar que, além dos registros e controles feitos puramente em atendimento a obrigações fiscais _ que nas micro e pequenas empresas geralmente são mais simplificadas _ para os empresários que realmente almejam sucesso empresarial é preciso se estender a controles internos e análises de administração financeira que realmente têm foco na administração, tais como:

  1. Análises gerenciais de custos;
  2. Controles financeiros: controles de caixa e bancos, custos financeiros e aplicações financeiras;
  3. Controle de contas a receber, abrangendo a adequação de procedimentos de concessão de créditos a clientes;
  4. Controle de ciclos operacionais: ciclo econômico (compra, estocagem, produção e venda) e financeiro (prazo médio entre o pagamento de compras e o recebimento de vendas) de forma a maximizar e eficiência produtiva e minimizar o custo financeiro de empréstimos e financiamentos.
  5. Análise de fluxo de caixa e projeção de fluxos de caixa futuros;
  6. Análise de retorno sobre os investimentos;
  7. Controle de estoques (de preferência permanente);
  8. Controle de ativos fixos (imobilizados), de forma a assegurar sua adequação e boa utilização nas atividades;
  9. Controle de receitas, de acordo com as metas definidas;

Por falta de boas informações gerenciais e, consequentemente, tomadas de decisões “às cegas”, muitas empresas que poderiam se tornar prósperas, deixaram de existir, já nos primeiros anos de existência.

Conforme dados do SEBRAE (2007, p. 14), a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas (MPE) brasileiras nos 2 primeiros anos de existência tem diminuído muito (passando de 49,4% para as constituídas no triênio 2000-2002 para 22% para as constituídas no triênio 2003-2005). A taxa de mortalidade destes mesmos grupos até 4 anos de existência caiu de 59,9% no triênio 2000-2003 para 35,9% para as constituídas no triênio 2003-2005. Dentre as conclusões do estudo, o investimento na própria qualificação pelos empresários foi decisivo para este quadro, além da melhora do ambiente econômico, haja vista que que 79% dos micro e pequenos empresários têm curso superior completo ou incompleto e 60% tiveram algum conhecimento prévio do negócio que iniciaram (p. 17).

Os empresários das empresas extintas citam as principais razões para o fechamento: 68% apontam para falhas gerenciais , 62% apontam para causas econômicas e conjunturais, 54% apontam para as políticas públicas e arcabouço legal, ainda de acordo com o SEBRAE (2007, p. 38).

Se considerarmos que, segundo dados acima, mais de 1/3 das MPE ainda fecham as portas até os primeiros 4 anos de existência, percebe-se que o investimento em um bom sistema de controle interno e boa administração financeira poderia ajudar muito a evitar a morte precoce de muitas delas, haja visto que a principal causa apontada pelos próprios empresários que fecharam suas portas são as falhas gerenciais. O bom conhecimento prévio do negócio que se pretende iniciar (experiência prévia no ramo) inibiria bastante o segundo maior fator de mortalidade, que são as causas econômicas e conjunturais. Uma boa assessoria empresarial, no sentido de melhor fazer um Planejamento Tributário, auxiliar na implantação de controles internos e controles financeiros (da forma mais profissional possível), ajudaria a minimizar a terceira maior razão para o fechamento precoce das MPE: as políticas públicas e arcabouço legal.

Conclui-se que não só as empresas de médio e grande porte precisam investir no fluxo de boas informações para caminhar no rumo do sucesso. As micro pequenas também precisam passar por boas decisões de investimento em momentos certos, a um custo adequado e ter bom acompanhamento de seus ativos a fim de alçar voos maiores. É necessário desmistificar a tomada de decisões intuitiva e caminhar rumo às informações objetivas e resultados concretos e sustentáveis.

Fontes de dados estatísticos:

SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Fatores Condicionantes e Taxas de Sobrevivência e Mortalidade das Micro e Pequenas Empresas no Brasil | 2003–2005 . Brasília, 2007. Disponível em <http://www.sebraemg.com.br/BibliotecaDigital/SobrevivenciaeMortalidadedasMPE.aspx#>. Acesso em 15 abr. 2012.

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